Publicado por: dudiscarrijo | maio 10, 2012

Meia Maratona de Hannover – 06/05/2012

Esta história teve início bem antes da data da prova. E para falar bem a verdade, não começou nada alegre.

Era sabido por todos os meus amigos e pessoas da família, que 2012 foi o ano escolhido para o desafio da primeira Maratona. Com isso, comecei o ano muito focado e treinando realmente forte. O resultado destes treinos fortes logo apareceu nas provas de 25k de Aracaju e na Etapa Outono do Circuito das Estações, com a grande marca sub 48min para os 10km.

Porém, na semana Santa, bem no susto mesmo, fui convocado para uma missão de trabalho na Alemanha. O tempo? De 2 a 3 meses. Ou seja, ficar longe da minha família todo este tempo. Como se isso não fosse pouco, ter de adiar a meta da Maratona.

Como a saudade da família é a dor que não tem jeito de remediar (e poxa, está difícil ficar longe!!!), a forma que eu achei para tentar remediar a alteração da meta, foi procurar uma prova legal aqui na Alemanha. E não é que o destino decidiu me dar a chance de correr a primeira prova oficial fora da nossa terrinha justamente na primeira cidade que estive no exterior? Hannover passou a ser a prova meta.

Depois de uma batalha rápida com a organização, consegui que aceitassem minha inscrição e tentei treinar para a prova. Frio, chuva, tempo seco… e assim por diante, mas cheguei no dia me sentindo preparado.

Para completar, nem precisei ir atrás dos famosos hosteis de baixo custo, um amigo da empresa me convidou para ficar na casa da família.

Depois de um passeio muito bom no sábado, fui até a praça da prefeitura para buscar meu kit. O show de organização já começava ali. Nada de longas filas, nada de problemas na inscrição e nada de gente mal humorada. Anexa à entrega dos kits, uma feira de material esportiva bastante interessante… pena que recebemos em real e não em euro.

Com tudo arrumado, me concentrei em dormir bem e me alimentar bem na manhã da prova. O horário da largada foi bem diferente do que estava acostumado (10:45h), mas foi providencial na tentativa de amenizar o frio, que na hora da largada beirava os 6ºC.

Cheguei com bastante folga na largada e curti a chegada da corrida de patins in line e também das informações dadas sobre o andamento da Maratona, que havia largado por volta das 9:30h.

A vontade era não tirar a blusa, mas com a hora da largada se aproximando, foi hora de enfrentar de vez o frio. Mas também de receber toda a adrenalina dos pouco mais de 6mil participantes da Meia Maratona.

Sem mais muito blá blá blá, fui para meu aquecimento (ou tentativa de aquecimento) e me posicionei bem no fundão, sendo um dos últimos a largar. “Engraçado” estes alemães, quem corre mais devagar larga atrás e quem corre mais rápido larga na frente!!!… Um dia seremos assim na nossa terrinha linda!

Conforme o mar de gente foi se movimentando, a adrenalina começou a subir e a empolgação tomou conta. Acho que foi um dos pouquíssimos momentos em que não senti o frio.

Primeiro veio o sorriso largo, a alegria. Depois, conforme fui me aproximando da linha inicial, fui lembrando das minhas meninas em casa e o coração foi apertando. Quando passei pelo meu amigo alemão e ele disse que iria tirar uma foto do nome da Kelly nas minhas costas, não aguentei e comecei a chorar… era a primeira vez que largava com lágrimas nos olhos…

Com a corrida oficialmente começada, fui tentando seguir no ritmo da onda humana, sempre conferindo no relógio se não estava rápido demais. E até nisso a organização extrema do povo europeu ajuda: nem que eu quisesse disparar, não seria possível.

Pouco mais de 1km da largada, fomos circundar o lago artificial da cidade e o show de vistas bonitas começava. Além disso, a presença do público na rua mesmo com todo aquele frio, era maciça.

Em meio a muita música e batucada brasileira (sim, eles adoram a batida típica do Olodum e da Timbalada), cheguei ao km 5, marca onde eu faria uma primeira avaliação e projeção de prova. Tempo acumulado de pouco menos de 29minutos, tinha conseguimos passar bem pela fase mais difícil de aquecimento. Dali em diante, daria pra acelerar um pouco e fazer nova verificação ao atingir 1/3 da prova.

Curtindo a paisagem e acelerando constantemente, cheguei ao primeiro terço da prova completamente inteiro e vendo as parciais já não ultrapassarem os 5:30 min/km. Bom por um lado, pois isso prometia trazer um tempo legal. Ruim por outro, pois era cedo para acelerar e o risco da quebra era sempre lembrado.

Mas naturalmente fui estabelecendo o ritmo das passadas e só fui beber água e engolir um gel perto do km 10, onde acabei me atrapalhando um pouco com os copos abertos. Foi a última parcial na faixa de 5:42 min.

A partir do km13, nenhuma parcial passou dos 5:15min e aos poucos fui acreditando que meu melhor tempo para a distância, realizado em Brasilia ano passado (1h 59min), ficaria para trás.

Perto do km 15, mais um show de organização. Uma vasta mesa de frutas, gel de carboidrato, barrinha de proteína, suco de maçã, coca cola e água em abundância. Peguei um pedaço de banana, um pouco de água e segui na minha passada forte.

Pouco depois deste ponto, passamos próximo do bairro onde fiquei a primeira vez que estive na Alemanha e a emoção tomou conta de novo. Para falar bem a verdade, daí em diante não corri mais nenhum metro sem lágrimas nos olhos.

Próximo do km18, uma das coisas mais pitorescas que já pude ver. Passamos por uma rua mais estreita, cheia de famílias nas calçadas. Todas com alguma coisa para oferecer para a multidão corredora. E a mais pitoresca, uma mesa bem grande, cheia de copos de cerveja e uma placa escrita a mão: “Cerveja grátis para os heroicos corredores”. De arrepiar de novo!

Já no km19, era possível ver a grande cúpula verde do histórico prédio da prefeitura, ou seja, estávamos chegando. Momento de dar a última respirada fundo, verificar se as pernas estavam bem e preparar o tiro final.

E assim foi. Fiz os últimos 2km abaixo de 5 min/km. E na reta de chegada, aquele tiro pra fazer as lágrimas pularem olho afora. E quando espiei o relógio e vi o tempo que estava fazendo, ergui os braços e vibrei muito! Inclusive já verifiquei o site da prova e vou comprar esta foto para ser guardada com muito carinho.

Prova terminada e recorde pessoal para a Meia Maratona – 1h 54min 47seg.

Pouco depois da linha final, as medalhas era colocadas uma a uma no pescoço de cada corredor. Claro que podium é para uma elite minoritária, mas este ato de colocar a medalha no nosso pescoço foi muito legal. Todo o pessoal do staff aplaudindo cada corredor que passava e fazendo questão de dar parabéns. Ao invés de isotônico, Erdinger para todo mundo!!! Aos mais empolgados, devo dizer que era saborosíssima, mas sem álcool!

Mais uma prova para ficar marcada para sempre. Um domingo que ficará marcado pela alegria em bater um recorde fora de casa, mas que também ficará marcado por um aperto no peito por estar longe dos meus amores Kelly e Bárbara…

Um dia quero voltar nesta prova, mas com a companhia daquelas que são a razão da minha vida… Ô saudade!!!

Publicado por: dudiscarrijo | abril 1, 2012

Circuito das Estações Adidas – Etapa Outono – 25/03/2012

Depois de ter conseguido um bom resultado na Corrida Cidade de Aracaju (17/03/2012) e de gastar bons cartuchos (leia-se $$$$), acabei desistindo de participar do Circuito das Estações Adidas. Seria a primeira vez que faltaria, desde agosto/2010.

Mas, no apagar das luzes, surgiu o amigo Rogério me passando a inscrição dele, ausente por motivos de viagem. E como gosto muito desta prova (foi nela que fiz minha estréia), aceitei de muito bom grado.

A princípio, iria para a prova para “apenas” participar e curtir. Mas, conforme foi chegando o dia, foi me dando uma vontade danada de “soltar as pernas” e tentar uma estratégia suicida. Na bem da verdade, combinei comigo mesmo que se acordasse bem no domingo, tentaria igualar minha melhor marca de 10k, conquistada em Dezembro/2011 à noite.

Acordei disposto no dia da prova e consegui encarar uma boa pratada de inhame (meu Deus, que coisa ruim é aquela!!!). Depois consegui fazer as obrigações intestinais e parecia que tudo conspirava para que eu tivesse uma boa prova.

Partimos com um pequeno atraso para o circuito, desta vez dando carona para a amiga Lucia. Minha motivação estava em alta, pois minha esposa/personal trainer estava comigo. Pena minha filha não conseguir acordar para nos acompanhar. Mas mesmo ela não indo, acabou nos rendendo boas risadas, pois fomos acordá-la e ela parecia uma boneca de pano… colocávamos sentada na cama e quando largávamos ela desabava… tadinha, ela está com várias atividades extras e merecia ficar descansando.

Como sempre gostamos de fazer, chegamos com boa antecipação, podendo escolher o lugar para estacionar o possante e conseguindo retirar o chip com tranquilidade. E parece que a inflação atingiu não só os organizadores da prova, mas também os famosos guardadores de carro. Em Dezembro pagava R$5 e agora me cobraram R$10… ah se meu salário subisse assim!!!

O dia seria também a estréia de um novo pisante – Asics DS Racer 8 (no final do post faço uma breve avaliação). E esta estréia ficou ainda melhor quando os amigos Couto Jr e Thiago montaram a tenda da Triad e disponibilizaram os famosos cadarços elásticos (para mim faz toda a diferença correr sem me preocupar com cadarço desamarrado).

O Sol ja pegava forte quando partimos para o aquecimento. Fiz a opção por dar um breve trote ao invés de fazer o aquecimento/alongamento com o resto do time. Ali já começava minha concentração em busca de melhorar minha marca.

Alguns minutos antes da largada, passei na tenda do time para dar um beijo em Kelly e fui para o local da largada. E como eu estava sentindo que talvez fosse “o dia”, fui buscar meu lugar no pelotão adequado. E nada de novidade… grande parte das pessoas não sabem ler as bandeiras de identificação dos pelotões… vão largar lá na frente, mas estão caminhando depois de 100m… Um dia eu hei de entender qual a razão de querer largar na frente se querem seguir num ritmo mais lento. A corrida se não é o esporte mais democrático, está entre os mais. Então, cada um faz a prova no ritmo que for melhor e está de parabéns só por estar na largada. Mas por que teimar em atrapalhar aqueles que estão mais rápidos? E mais do que isso, por que os organizadores assistem passivamente isso acontecer em todas as provas?

Bom, deixando pra lá este fato lamentável, o plano seria o seguinte: buscar pace abaixo de 5:00 min/km nos primeiros dois trechos. Caso positivo, continuaria forçando. Caso negativo, tiraria o pé do acelerador e seguiria num ritmo mais confortável.

Buzina soando alta, e lá fomos nós. Com alguns desvios até engraçados, segui com força total. Tática do tudo ou nada. E, ao passar pela placa de km1 e espiar o relógio, vi que tinha sido tudo – 4:34min. Um pouco ofegante, mas me sentindo bem, segui para o segundo passo.

E fui embalado e motivado para este trecho, já que é o ponto em que passamos novamente pela largada, com toda a animação da torcida. Quase fico sem foto, acho que Kelly não esperava que eu tivesse largado lá na frente e viesse tão rápido. Mas deu tempo e a foto até ficou legal…

Mais à frente um pouco, o Garmin avisou que o km2 tinha sido vencido. Hora de ver se ainda dava para tentar o recorde ou se deveria aliviar as turbinas. Sim, era “o dia”… 4:40min e uma boa gordura acumulada para os trechos mais difíceis.

Como diz o amigo Luiz Lopes, a tática é simples: largar forte, manter no meio da prova e acelerar no final! E acho que fui com isso na cabeça, pois me proibi de passar acima dos 5×1.

Mesmo com a ligeira confusão do primeiro ponto de água, cravei 4:57min na placa de km3. Momento de tomar um bom gole de água e de tomar aquele belo banho de copo… Cabeça refrigerada e motivação em alta. Pace acumulado de 4:44 min/km. O ritmo estava adequado e não podia desviar meu foco.

As pernas pesaram um pouco ao partir para a subida chata depois do Aeroclube, mas fixei meu alvo num colega que seguia à frente num bom ritmo e isso funcionou, pois cruzei o km4 com tempo de 4:58min. Novo posto de água mais à frente e a certeza de tinha de levar suprimento extra. O Sol pegava forte e o ritmo também estava levando o motor a superaquecer.

Com a cabeça molhada de novo, me concentrei na breve descida, abri a passada e descansei um pouco, mesmo aumentando a velocidade. Aos poucos, a experiência no esporte vai ajudando a vencer os desafios usando mais a cabeça e menos as pernas. Felicidade crescendo a cada parcial e confirmada ao cruzar o km5 com acumulado de 24:03min.

Por outro lado, os trechos seguintes eram os mais perigosos da prova, pois o Sol aperta, a água falta e o cansaço pega. O lado bom é que fazendo o retorno, começamos a ver os colegas passando no outro sentido e sempre recebemos belos incentivos.

Como eu tinha matado a minha sede e estava levando suprimento extra de água, passei a observar os colegas para ver se alguém precisaria de ajuda. E logo avistei o amigo Luciano vindo em bom ritmo, mas de mãos vazias. Hora de entregar o copo a ele e receber todas as energias positivas. E falo sem medo de estar sendo demagogo: como é gostoso poder oferecer um pouco de água para alguém que está precisando! Parece que a energia vem em dobro.

Sem eu perceber, o km6 chegou e um certo receio de estar perdendo terreno. Fato, passei com preocupantes 4:59min, mas a média ainda me garantiria pelo menos igualar a marca anterior noturna. E falo uma coisa, igualar a marca noturna com aquele Sol nas costas já era um grande feito.

Novo trecho em ligeira descida e passada novamente aberta. Sensação boa de estar descansando e melhor ainda de que eu mais ultrapassava do que era ultrapassado. Este km7 é sempre importante nesta prova. Se não descansamos um pouco ali, fica praticamente impossível vencer a subida da chegada. Passando com 4:53min, voltei a ter uma certa gordura na busca do recorde pessoal. E sou mantega derretida mesmo, pois os olhos encheram-se de lágrimas quando espiei o relógio e vi que tudo indicava que teria sim choro na chegada.

Hora de partir para o km8 e tentar perder o mínimo de tempo possível. Sabidamente, este é sempre o trecho mais lento da prova pra mim. Por outro lado, chegar no limite neste trecho, significa não ter gás para o tiro final. As pernas já pesavam bastante e a cada passada, lembrava cada uma das ladeiras enfrentadas uma semana antes em Aracaju. Ao bater o pé esquerdo, o sentimento era de desgaste acumulado e a vontade era diminuir o ritmo e deixar pra lá a tentativa do recorde. Porém, ao bater o pé direito, pensava que tinha vencido as montanhas de lá e que a subida à frente era “fichinha”. Com pior pace da prova, passei a placa do km8 com 5:03min. Mas ainda dava.

E como dava! Respirei fundo a voltei a tentar acelerar. Apesar de estar ofegante, as pernas respondiam bem e não foi surpresa quando cruzei a placa de km9 com 4:58min. O acumulado era de 43:59min. Ou seja, salvo algum acidente de percurso, eu viria sim para pelo menos igualar a melhor marca.

Este último km é sempre muito bom. O volume de pessoas nas calçadas aumenta e sempre tem algum amigo para fazer aquela foto legal. Neste trecho, mudei a tela do Garmin para tempo acumulado e segui no coração!

Logo depois de passar pela placa de “faltando 500m”, consegui avistar Kelly à minha espera com a máquina fotográfica na mão. Eu ainda precisava de foco para a aceleração final, mas não contive a empolgação: de longe já comecei a sacudir os braços para ela me avistar. A amiga Sandra, que estava junto, ajudou na identificação e a foto saiu legal.

Muito feliz, já fui logo anunciando que eu vinha rápido e que passaria abaixo de 50min com certa folga. Em resposta, recebi o famoso grito de incentivo da Kelly: “Se está com tempo bom, por que está diminuído? Aceleeeeeeeeeeeeera!”. E, se ainda faltava alguma motivação para a quebra do recorde, veio quando escutei o grito.

As passadas foram se abrindo ainda mais e senti que cheguei no meu limite de velocidade. Nesta hora, passei pelo Capitão Éder Martins e pela Mônica, que até assustaram como rendimento. Cheguei a bater 17km/h de pico…

Nos últimos metros já fui desacelerando e, ao passar o tapete da chegada, travei o Garmin. Felicidade total e mais lágrimas… 48min e 37seg (depois oficialmente confirmado como 48:36min). Confesso que forcei bastante e precisei me concentrar para controlar a famosa ânsia de vômito do sprint final, mas valeu muito a pena. Menos de 1min depois da chegada eu já estava inteiro para realizar a sequência de tirar o chip, pegar a medalha, isotônico e as frutas.

Nem precisei procurar muito para achar Kelly, que tirou mais uma foto legal e já me esperar para as felicitações.

Ao final da jornada, dever mais que cumprido. Representei bem o amigo Rogério e ainda consegui a quebra do recorde dos 10km, com o Sol pegando pesado. Pena que logo na sequência o tempo fechou e uma chuva até pesada caiu, nos espantando para o carro e reduzindo a resenha na tenda do grupo.

A cada dia tenho mais certeza de que quero seguir por muito tempo neste esporte, que mesmo nos levando ao limite da resistência física, nos enche de alegria e prazer.

Avaliação rápida do Asics Ds Racer

Mais uma grande indicação do amigo Couto Jr e da Triad. Tênis muito leve sem deixar nada a desejar no quesito amortecimento e conforto. A colocação do cadarço elástico “fechou o pacote” e deixou o tênis praticamente imperceptível no pé. Depois do km6, fiquei com algum receio dele me machucar, pois joguei muita água na cabeça e boa parte dela foi parar dentro do pisante. Mas nenhum desconforto foi sentido. Resumindo: APROVADO e INDICADO!

Publicado por: dudiscarrijo | março 23, 2012

29ª Corrida Cidade de Aracaju – 25k – 17/03/2012

Depois de quase 3 meses desde a última prova feita (Dezembro/2011), a aventura desta vez estava cheia de pecualiaridades, para não dizer dificuldades.

O ano novo veio e, com ele, vieram despesas e mais despesas. Além disso, os nobres organizadores de provas parecem que se inspiraram nos juros de cartão de crédito para determinar os seus percentuais de aumento. O número 70 parece ter se tornado como piso… Independente de acharem justo ou não, o orçamento apertou e acabei tendo de escolher a dedo em quais provas participarei em 2012.

Diante disso e do desejo de enfrentar grandes desafios como preparação para a Maratona do Rio, a prova Cidade de Aracaju (São Cristovão-Aracaju-25k) caiu feito uma luva. Inscrição de R$40 e alguns amigos dispostos a fazer o racha de gasolina e hotel me fizeram decidir que esta seria a minha estreia no ano.

O encontro foi marcado para o posto de combustível na saída da cidade e o horário 6h. Não tão britânicos assim, partimos numa primeira leva de 3 carros. E, apesar dos 300km a serem vencidos, a paisagem da Linha Verde e da chegada na orla de Sergipe compensa qualquer cansaço.

Logo na chegada, fomos atrás dos nossos kits. Simples sim, mas com as costumeiras camisetas (de qualidade um pouco duvidosa mas até bonita), número e chip descartável. Isso sim uma boa idéia, entregar o chip antecipadamente e não quase na hora da prova. Um pequeno imprevisto que até já esperávamos quando não acharam nossa inscrição, mas rapidamente resolvido com as cópias impressas que levamos. Por pura obra do destino, desta vez eu correria com um número marcante: 900.

Com os kits nas mãos, foi hora de fazer check-in no hotel e buscar encher o estômago de macarrão. O local escolhido foi perto do hotel, com deslocamento a pé mesmo.

 

Barriga cheia (no meu caso bem cheia, diga-se de passagem), o próximo passo era tirar uma soneca de 1hora, pois a partida para a largada estava agendada para 14:45h. E assim foi, bater na cama e dormir.

Nem acreditei que já estava na hora quando o celular tocou. Parecia que tinha dormido uns 10 minutos. Com a preguiça reinando, não restou outra alternativa a não ser um banho gelado (nem tanto, nesta hora os termômetros passavam dos 30ºC).

Equipamento vestido, desci para o saguão do hotel, onde parte da trupe já esperava. E no final das contas, entre corredores, amigos, torcida e suporte, tinha até uma boa turma. Ponto negativo para mim, que desta vez segui sem minhas meninas. Estar entre amigos foi muito bom, mas esposa e filha fazem muita falta sempre, principalmente nestas aventuras.

Seguimos espremidos em 3 carros até a largada, localizada na histórica São Cristovão (primeira capital de Sergipe). O caminho foi assustador, pois seguimos pela mal falada e eternamente em obras BR101. Além do movimento e da precariedade da pista, as longas subidas mostravam que o retorno seria osso duro de roer. Na bem da verdade, ninguém foi pra lá desavisado do relevo, mas quando realmente se vê os tamanhos dos morros, a barriga esfria de vez.

Mesmo com a antecedência que saímos, acabamos chegando em cima do laço e nem pudemos tietar os queniamos e a turma da elite brasileira. Mas o tempo foi suficiente para os últimos preparativos, incluindo o famoso “pipi-stop”.

Pontualmente às 16h, soou a buzina na Praça da Igreja e com muitas palmas e animação, partimos pelas ruas de paralelepípedo da bela cidade histórica. Apesar do ligeiro desconforto do piso, este primeiro trecho dentro da cidade foi muito legal, assim como seria durante o percurso todo. Muito apoio dos moradores e um grande suporte da polícia e resgate de Sergipe.

Com um olho no relógio e outro na pista, a meta era manter o ritmo sem deixar me empolgar demais pela torcida. E assim ouvi o aviso de primeiro km, com interessantes 5:48min. O ritmo parecia um pouco acelerado demais, pois me programei para cumprir a prova no regime de 6 min/km. Mas as pernas respondiam bem.

O Sol pegava forte no céu, mas a adrenalina comandava as pernas rumo à saída da cidade. Ao longe, já era possível ver a estrada estreita cheia de corredores mais afortunados, assim como a primeira subida. O frio na barriga já tinha passado e foi substituído pelo suor escorrendo. E o km2 chegou, anunciando que mesmo já com as primeiras pequenas subidas, o ritmo estava bom: 5:46min. Este foi o fim da linha da cidade e o começo do “serrote” da estrada.

A primeira real subida apareceu e lá fomos nós rumo ao aclive de 16m. Junto com ela, o primeiro posto de água, que seria repetido quase religiosamente a cada 3km. E até fiquei surpreso ao escutar o anúncio e ver que tinha passado impune por ela: 5:47min. Neste ponto acabei me separando do amigo JJ, que seguiria uma estratégia mais conservadora.

Como tudo que sobe uma hora desce (ou deveria descer), lá fomos nós para o km4 e o primeiro trecho ladeira abaixo. Hora de descansar e de recuperar algum tempo perdido. Abri a passada, mas tentei me concentrar em algum colega que parecia estar mais ou menos no meu ritmo. O medo aqui era acelerar demais e deixar de descansar. Me sentia de certa forma recuperado quando o relógio anunciou o fechamento da volta em 5:14min.

Mal acabou o trecho de descida e logo avistei o caminho morro acima. Não era uma subida… era “A Subida”. Um desnível de 33m ladeira acima. Para quem não costuma correr, parece pouco. Mas quem corre sabe que é muito. E lá fomos nós, literalmente “serpentiando” o morro. Curva à esquerda, curva à direita e nada de acabar. Na base do devagar e sempre, fui vencendo aquele monstro. O coração parecia que iria sair pela boca, mas enfim escutei o alarme de km5 e constatei que pelo menos para este primeiro quinto da prova, tudo estava bem: 6:00min. Ou seja, os primeiros 5 km tinham sido vencidos em 28:35 min, uma bela marca.

A vez agora era de descer de novo e descer muito (24m). Momento para dar uma relaxada e curtir a torcida que se acumulava na beirada da pista. Hora de pegar novo copo de água e começar a levá-lo junto para o próximo trecho. Mais à frente, era possível ver que vinha uma sequência de subidas e descidas. Também à frente, vi que o amigo Rogério seguia numa passada ritmada. Aos poucos fui me aproximando dele e recebi o aviso de km6. Tempo muito bom de 5:02min e o receio que tinha acelerado demais. Porém, pernas e pulmões me diziam que estava tudo certo.

Ao passar por Rogério, deixei meio copo dágua com ele e recebi o incentivo para seguir em frente. A estratégia dele também seria um pouco mais conservadora para esta parte da prova.

Entre os km 7 e 9, foi uma sequência de sobe-desce até interessante, pois quando as pernas avisavam que não aguentariam, vinha uma descida para aliviar e acelerar. O importante é que o pace esteve sempre igual ou menor que 5:30 min. Neste trecho, várias crianças estavam na beira da pista, fazendo questão de dar aquela batida de mão. Alguns corredores profissioanais (leia-se pessoas com pouco senso de humor) desviavam das crianças. Eu, amador nato e muito feliz com a oportunidade de correr naquele lugar especial, fiz questão de bater em cada uma daquelas mãozinhas. E me arrepiei todo quando um destes pequenos me acompanhou alguns metros me pedindo o boné. Juro que até levei a mão para tirar, mas o Sol ainda pegava forte e o boné branco não era mero adereço. Prometi a mim mesmo que, caso volte a correr lá ano que vem, levarei pelo menos um de reserva para retribuir toda a força recebida.

Então chegou o km10. Outro ponto de checagem de tempo acumulado. Felicidade garantida ao ver que tinha fechado este trecho em pouco mais de 56 minutos. Felicidade garantida porque sentia as pernas quentes e afiadas. Mas… lá vem ladeira de novo… lá vem mais 30 m de elevação.

Foi nesta ladeira que o Capitão Éder me passou esbanjando alegria e me chamando para acompanhá-lo. Eu estava bem… mas ele estava bem mais rápido. Um ligeiro boa sorte e lá fomos nós. Na média, eu mais ultrapassava do que era ultrapassado. E dentre os ultrapassados estava o amigo Mateus, que subia num ritmo mais lento, mas não menos forte. Forte também estava o mal humor dele, parecia que tinham pisado no calo dele kkk…

Os km 11 e 12 vieram e nova sequência de subidas e descidas, com média acumulada de 5:37 min/km. Eu mal conseguia acreditar que estava chegando à metade da prova com uma bela gordura frente aos 6×1 programados.  E a torcida? Firme e forte!

O 13 que é o número do azar para uns e de sorte para outros, foi muito bem vindo. Longa descida e hora de acelerar/descansar de novo. Sempre levando um copo dágua de reserva, tomei aquele banho refrescante e segui em diante. Ao longe, consegui ver que o Capitão Éder tinha chegado ao estreiante Anderson Mineiro e juntos seguiam. Também percebi que eu estava me aproximando deles. Um bom pace na descida (5:11min) era o responsável por esta aproximação.

Mas então, lá veio outra subida. Não tão forte como as outras que eu já havia passado, mas a elevação somada ao cansaço acumulado, me fez pensar que era hora de diminuir. E achei que tinha diminuido. Quase não acreditei quando o relógio me despertou dos aplausos da população para me mostrar 5:18 min. Sim, eu havia enfrentado a ladeira com uma boa velocidade, mesmo tendo a impressão de desaceleração. E confirmei o bom tempo ao ver que estada cada vez mais próximo da dupla companheira de clube de corrida.

E decidi chegar junto com eles quando vi que vinha pela frente uma grande descida (a maior da prova – 38 m). Hora de fazer o melhor trecho da prova e, pela primeira e única vez, ver um pace abaixo dos 5. Trecho cumprido com 4:53 min e agora sim junto com os amigos. Momento de aproveitar o posto de água com garrafinha e refrigerar a máquina. Hora de fazer a avaliação dos 15k e planejar a chegada. Acumulado de 1h e 22min e a certeza de que seria possível fazer abaixo da meta.

Os km 16, 17 e 18 foram trechos de plano-descida. E aproveitei para descansar um pouco, pois não havia razão para gastar as reservas antes das subidas finais. Com isso, mantive o pace na faixa de 5:35 min/km, fechando este pedaço da prova com pouco menos de 1h e 40min. Esta também foi a hora que nosso Capitão Éder acelerou e que eu e o Mineiro passamos a correr sempre no mesmo ritmo.

E a paz parecia ter acabado quando uma nova (e não muito grande) subida apareceu. As pernas já não eram as mesmas de antes e o ritmo foi afetado. O sinal de alerta se acendeu ao espiar o relógio e ver que tinha feito em 5:55 min. Sinal mais do que ligado quando algumas pequenas pontadas no posterior de coxa foram sentidas. Sinal de alerta confirmado quando o amigo Mineiro disse que estava cansado e com sede.

E, pela primeira vez na prova, tive a animação afetada ao descer um pouco para passar sob o viaduto da rodovia de chegada em Aracaju e visualizar a última subida. Isso, já no km 20, com todo o desgaste acumulado da prova, teríamos de enfrentar nada menos do que um desnível de 26m. Foram 26m que pareceram 100m. Boca seca, suor caindo às bicas e misto de pânico e cansaço ao ver o bip do relógio ser acompanhado pelos números 6:12… sei que já estávamos no trecho final, dentro da cidade, mas um sino bateu dentro da minha cabeça e avisou: “O gás acabou”. E o pânico quase virou desespero quando passamos pelo posto de água e vimos muitas garrafas… só que elas estavam vazias e jogadas no chão. Ou seja, depois de subir um morro e “fechar” a Meia Maratona, zero água.

Aí, os primeiros comentários de cansaço do Mineiro, viraram “ameaças” de parar. E eu não podia deixá-lo parar já tão próximo da chegada e com um tempo acumulado tão bom. As palavras de motivação para ele, também serviam para mim. A cada “Falta pouco, agora você não pode parar”, no fundo, eu estava falando para mim mesmo também. E como miséria pouca é bobagem, quando fui tentar mudar a tela do Garmin para conferir o tempo da Meia, constatei que o suor somado aos banhos de água acabaram por travar o aro, ou seja, só saberia nosso tempo depois de chegar.

Um fato inusitado marcou este trecho. Quando passávamos ao lado de um companheiro de prova, ele deu uma “golada” no copo quase cheio e o arremessou no chão. O Mineiro quase voou no pescoço do cara kkk….Brincadeiras à parte, esta é uma coisa que eu cuido. Nunca jogo fora um copo ainda com água, antes de oferecer para algum companheiro de prova. Muitas vezes, aquilo que é sobra de água morna pra mim, pode ser o manjar dos deuses para quem está extenuado.

Com esta piada de mal gosto, seguimos para o km 22, aproveitando um pequeno declive. Boa notícia que rodamos abaixo dos 6minutos, mas o cansaço era grande.

Mais à frente, não conseguia definir bem se era uma miragem ou se era um posto de água. Porém, o fôlego pareceu renovado e seguimos na pista plana. Daquele ponto em diante, era mais coração do que perna e pulmão. E a miragem se materializou com uma bela e gelada garrada de água. Um tanto boca a dentro, outro tanto cabela a baixo. Bip do relógio mostrando pace de 5:42 min e a linda visão da orla chegando. Ou seja, linha de chegada por perto.

Na bem da verdade, desde a largada eu sabia que eram pouco mais de 24,3km a serem vencidos. Mas esta diferença só passou a ser considerada quando chegamos na esquina e avistamos o funil de chegada. Não tão perto, mas já dava pra ver. Quase junto, o relógio anunciou o km24 e este foi totalmente desprezado por mim.

O coração acelerou, a adrenalina tomou conta e quase puxando o amigo Mineiro pelo braço, acelerei. É claro que eu sabia que o tempo seria inferior ao programado. É claro que eu sentia menos do que pensei que sentiria. É lógico que quando avistei os amigos de clube de corrida com a famosa camiseta amarelinha, os olhos encheram de lágrimas e o sorriso abriu de orelha a orelha. Estas últimas palmas  e estes últimos gritos de incentivo foram os responsáveis por eu cruzar o pórtico de chegada quase a 17km/h. Uma espiada de leve no relógio oficial da prova me mostrou que eu tinha girado em torno de 2h e 16min.

Lágrimas de prazer, pois as pernas pareciam nem estar conectadas ao corpo. Era muita adrenalina e a dor do cansaço só foi aparecer bem depois. O sentimento era um só: eu tinha feito a melhor prova da minha vida!

Seria deselegante e injusto agradecer a alguns, pois tenho certeza que esqueceria de muitos. Mas agradeço a todas as pessoas que estiveram comigo nesta prova ou treinaram comigo ou simplesmente torceram por mim.

A única coisa que ficou faltando foi a companhia dos amores da minha vida Kelly e Bárbara. Mas tenham certeza que corri cada metro desta prova com vocês no coração!

Obs: o tempo oficial foi de 2horas, 15 minutos e 25 segundos.

Publicado por: dudiscarrijo | dezembro 30, 2011

Retrospectiva 2011

Há cerca de 1 ano atrás, eu ainda estava curtindo a estréia nos 10km (Circuito das Estações Adidas – Etapa Verão) quando me veio na cabeça que eu precisava de novos desafios.

Não que começar a correr 5km em Agosto e em Dezembro já fazer 10km abaixo de 1 hora não tivesse sido um grande desafio, mas precisava de mais, queria mais. De fato, sentia que podia mais.

Foi então que a idéia da Meia Maratona começou a tomar corpo.

No começo, uma maluquice, uma utopia. Depois, algo possível de ser feito.

Com este clima, iniciei 2011. Como de costume, acima do peso. Nada desesperador, mas com quase 81kg, eu sabia que a primeira coisa que precisaria para fazer a Meia Maratona em Setembro seria perder peso. De forma constante e sustentável. Falando em treinos, sabia também que treinar 5 ou 7 km seria coisa do passado.

Treinei pouco em Janeiro (22km), mas o mês ficou marcado pela aquisição do primeiro Garmin (modelo 305). A coisa seria levada a sério. Este também foi o mês que enfim conheci Aracaju e dei uma corridinha leve naquela orla maravilhosa. Por várias vezes, eu tinha desobedecido minha personal trainer, esposa e companheira de corrida e tinha evitado de gastar com um tênis melhor, uma bermuda ou um GPS. Doeu no bolso, mas sem estes equipamentos, com certeza eu não teria conseguido chegar onde cheguei. Ponto para ela (de novo!!!).

Orla de Aracaju - Eu e Bá

Fevereiro começou um pouco melhor, aumentando os volumes e com uma prova (mesmo que pequena) para realizar. O mês acabou com 75km rodados e a prova da IBVA realizada. Mesmo os modestos 56minutos para os 10k foram animadores. Nesta prova acabei fazendo dois testes e reprovando ambos. Usei um Nike Vomero 5 do amigo Zé Leitão e não me adaptei (achei mole demais depois que o asfalto esquentou). Também testei uma meia de compressão da Track & Field, gentilmente cedida pela Mônica, porém mais me atrapalhou do que ajudou (meses depois descobri que existem tamanhos diferentes).

Final da prova IBVA

O mês de Março foi mais uma vez hora de aumentar os volumes. Os quase 110km foram acumulados por treinos semanais, mas também por dois treinos especiais. Primeiro o Longão do Carnaval, onde enfrentamos pouco mais de 13km enquanto a maioria absoluta da população estava no circuito do carnaval. Depois, mais 13km na orla de Salvador, saindo do Porto da Barra e parando no Aeroclube, onde assumimos a posição de suporte para os mais avançados. Naquela época dois sentimentos bastante distintos: a certeza da evolução nas distâncias e a incerteza se tempo para chegar bem treinado na Meia Maratona.

Começando o treino na subida do Morro do Cristo

Ela e eu... minha luz em todos os momentos...

Abril chegou e a primeira prova grande do ano também. Circuito das Estações Adidas – Etapa Outono. Hora de jogar duro e conseguir a redução de tempo nos 10k. Foi uma prova dura por causa do calor (até agora estou pra dizer que estava mais quente na prova de Abril do que na de Dezembro). O tempo final foi de 55:14min e belos 2min a menos do que na estreia. Não houve dúvida de que o peso que estava indo embora já refletia no relógio. Ainda em Abril, treino na orla de Salvador e a distância de 15km foi vencida. Esta foi a primeira vez que senti que realmente daria para encarar os 21k da Meia Maratona, é claro que o caminho ainda era grande. No total do mês, 82km rodados e a balança já mostrando menos de 77kg.

Comemorando a melhoria debaixo de muito Sol

Em Maio, voltei a passar dos 100km treinados. Destaque para a prova Fila Night Run, onde mais uma vez consegui baixar meu tempo de 10k (53:08 min). Parte deste bom tempo foi porque choveu e a temperatura estava mais baixa. Parte porque a organização da prova errou feio na distância, diminuindo em quase 200m o percurso. Porém, o maior destaque do mês foi o treino realizado com o amigo Sérgio no condomínio Encontro das Águas. Um lugar maravilhoso, um percurso bastante técnico e cheio de subidas, mas o mais importante de tudo, foi a primeira vez que cheguei aos impensáveis 20km. Não posso negar que sofri bastante durante 2h e 12min, mas também é inegável o prazer ao final do treino. Como diria o pessoal do Obama, yes I can… sim, estava provado que eu era capaz de chegar aos 21k.

Junho começou com a corda toda. Já na primeira semana, longão Stella Maris – Busca Vida e aí sim a confirmação: 21k em 2h e 11min com os amigos do grupo de corrida, mas com destaque especial aos amigos Luciano e Silvio que estiveram colados em mim e me incentivando do começo ao fim. Este treino valeu muita comemoração, incluindo um megacafezão patrocinado pelo capitão Éder Martins. Na metade do mês, foi vez de experimentar a simples mas charmosa Corrida Riachuelo e conseguir o impressionante sub 52 nos 10k (é claro que valeu eu dar uma roubadinha e excluir os metros a mais do circuito kkk). Numa manhã onde caiu o mundo e quase que precisamos usar um barco para chegar até a largada, corri feito gente grande e vi que a balança mostrando 74kg influenciou muito. E Junho ainda reservava mais dois belos treinos, um entre Stella Maris – Villa do Atlântico e outro dentro de Busca Vida, este com a participação da minha filha Bárbara de bike. No final das contas, fechei o mês com 115km rodados. Já começava a me sentir um corredor de verdade (apesar de ainda estar engatinhando…).

Medalha simples, mas a Corrida Riachuelo foi especial

Eu e Silvio em Ipitanga...

O mês de Julho começou forte, como não poderia deixar de ser. Colocamos em prática o sonho de corrermos na estrada, saindo da paradisíaca Praia do Forte e chegando na não menos bela Guarajuba. Mais 21km colocados na conta, muito especiais pela paisagem e pela estréia da Kelly e do Cláudio na distância, inclusive sendo o dia do surgimento da alcunha “Tartaruga Monstro” ao amigo. No final do treino, uma certeza: repetiríamos a dose! Uma semana depois, foi hora de voltar ao Circuito das Estações Adidas, desta vez, Etapa Inverno. Especial também pois foi a estréia oficial da Kelly nos 10k. E logo de cara significativos 54min, com a ajuda do amigo Couto Jr dando o coach e puxando o ritmo na chegada. E aí veio o fatídico 16/7, dia que resolvi voltar a jogar futebol e que consegui ganhar de presente um estiramento no adutor da coxa. Na hora um estalo, uma fisgada. A dor foi muito forte e eu não conseguia acreditar que tinha acontecido. Parei imediatamente. E quando puxei o short para tentar ver alguma coisa, o choque: um hematoma instantâneo. Não pude conter as lágrimas. Uma gota pela dor e algumas outras gotas pela gravidade e pelo risco de não poder correr a Meia Maratona. Lição aprendida: corrida e futebol não se relacionam! Com muito remédio, fisioterapia e força de vontade, 15 dias depois fui cheio de medo para a Corrida da Independência. O circuito na cidade baixa era novidade, mas a tensão estava toda na coxa. Será que ela iria aguentar? E aguentou ao longo dos 55:13min dos 10k. Uma ponta de satisfação porque parecia que eu estava de volta. Uma ponta de frustação por ter sido a primeira vez que eu precisei caminhar em uma prova.

Linha Verde, perto da Praia do Forte

Estreia da Kelly nos 10k

Concluindo a Corrida da Independência

Agosto, mês do meu aniversário, reservou dois treinos muito legais e um total de 135km rodados. Foi o mês com o maior volume treinado. O primeiro dos treinos legais foi o Longão da Tartaruga – O Retorno. Um devaneio que acabou virando realidade, quando conseguimos levar uma boa turma para a estrada, percorrendo 21km entre Barra do Jacuípe e Praia do Forte. Um treino pesado, suado, sofrido. Mas com um encerramento prá lá de especial com os corredores e famílias tomando um grande café da manhã numa pousada da bela praia. Não poderia ter comemorado meu aniversário melhor. O outro treino legal foi também na estrada, saindo de Villas do Atlântico, indo até o pedágio da Estrada do Coco e retornando. Desta vez, só eu, Kelly e Vivian. Mas um treino especial não só pelo volume (17km) e pela companhia. O destaque foi o apoio do “Seu Rafa”, grande figura que nos acompanhou naquela manhã.

Os Tartarugas reunidos na saída

21km depois... um dos melhores momentos de 2011

Setembro chegou e a hora H da estreia oficial na Meia Maratona se materializou. O palco foi a orla de Salvador. Saindo do Jardim dos Namorados, indo até o Farol da Barra e retornando para o ponto inicial. Uma prova com muita história pra contar, incluindo ansiedade, alegria na primeira metade, sofrimento na segunda metade, caminhada, tontura e a glória da chegada. Foram 2h e 5min muito intensos e a sensação de dever cumprido. Além disso, a lição aprendida de que para tal distância, ainda mais em Salvador, ou se poupa no começo ou quebra. Quebrei, mas aprendi. Destaque pra minha esposa que soube levar melhor a prova e chegou quase 3 minutos na minha frente. O mês ainda teve o Circuito das Estações Adidas – Etapa Primavera, onde fui com algum cansaço da prova anterior, mas consegui manter um bom ritmo, fechando em 52:19 min.

Estreia na Meia Maratona - meta atingida

Direito a tietagem ao grande Vanderlei

O tempo de 10k caindo de novo

O mês de Outobro foi um mês complicado. Estivemos em plena guerra para a liberação do nosso sonhado apartamento e pouco treinei (50km). O ponto marcante nas pistas foi a Meia Maratona Farol a Farol, partindo de Itapoã e chegando na Barra. Visual maravilhoso! Prova marcada pela guerra da Kelly contra o tornozelo (dois ligamentos rompidos), mas com uma chegada espetacular. Prova marcada pra mim como tecnicamente muito bem feita. Me poupei no início, marquei o ritmo no meio e acelerei ladeira abaixo na chegada. Tempo muito significativo de 2h e 3min. Ficaria para a próxima a meta de sub 2horas. O mês ainda teria a Track&Field Run Series estreando em Salvador. Uma bela prova, um resultado tímido, mas uma boa preparação para o desfio seguinte.

Chegando na segunda Meia Maratona - desta vez muito feliz com o bom desempenho

Dois ligamentos rompidos e muita luta - Guerreira

Chuva muito boa para apagar um pouco o calor

Novembro reservou momentos especiais. A primeira viagem para correr. A oportunidade de enfim conhecer a capital federal. Mais do que a corrida, mais do que a cidade, foi um momento que jamais vou esquecer. Foi a oportunidade de conhecer uma pessoa muito especial, o Luiz Gustavo, amigo de tempos de ginásio da minha esposa na longínqua Balbina (AM). Fazia cerca de 20 anos que eles não se encontravam e foi um final de semana maravilhoso. Não vou cansar de agradecer ao Luiz e sua esposa Cândida por nos acolher com tamanha dedicação. Com relação à corrida, perfeito acho que é o adjetivo mais justo. Organização sim de prova internacional, como a patrocinadora alardeou tanto. Percurso muito gostoso. Gente muito alegre e alto astral. Esposa sofrendo por não correr, mas passando uma energia gigante nas vezes em que esteve pelo percurso tirando fotos. O resultado não poderia ser outro a não ser o cumprimento da meta e a conclusão dos 21km abaixo de 2 horas. Lágrimas, comemorações e a certeza de que Brasília fará parte do meu calendário fixo de provas.

Visita ao Congresso Nacional com o grande amigo Luiz

Eu e minha cara metade momentos antes da largada

Foto oficial

E chegou o último mês do ano. Para Dezembro, reservei as metas derradeiras. A mais tangível, chegar aos 1000 km corridos no ano. A menos provável, potencializada pela queda nos treinos, fazer uma prova de 10k abaixo de 50 minutos. Foram alguns treinos duros de tiros e parti para a Corrida Noturna de Verão. A certeza de concluir a prova e fechar os mil quilômetros. A total incerteza se conseguiria os sub 50. E foi uma prova memorável, daquelas que me arrepia de novo só de lembrar a linha de chegada e o cronômetro mostrando 49 minutos. Muita emoção, muito choro e a certeza de dever cumprido. Fechando o mês, ainda teve o Circuito das Estações Adidas – Etapa Verão e o absurdo da postergação da largada para 8:30h, do qual me nego a voltar a falar.

Noite memorável - sub50

Sem ela não teria conseguido...

O time celebrando a última prova do ano

O ano passou voando, muitas metas foram cumpridas e alguns quilos se foram junto com o suor. Agora, olhando para trás, tenho absoluta certeza de que este esporte fará parte da minha vida por muito tempo.

Quero agradecer a todos que estiveram comigo ao longo do ano e que fizeram parte desta minha breve história na corrida e desejar um ótimo 2012!

E que venha a Maratona do Rio (Julho/2012)…

Publicado por: dudiscarrijo | dezembro 24, 2011

Circuito das Estações Adidas – Etapa Verão

Depois de cumprir as metas de 2011, fui para esta prova com o clima de confraternização e curtição. E, depois que a “dupla” organização da prova + prefeitura de Salvador tiveram a mirabolante ideia de alterar o horário da largada para as 8:30h, nada além de nos divertir seria possível.

Sei que terei reclamações e gente dizendo que sou chorão, mas tenho de dedicar um parágrafo para falar sobre organização de prova, horário de largada, circuito e coisas afins. Primeiro de tudo: quem é que disse que é saudável correr com Sol de 9horas em Salvador??? Aí vão dizer que estamos com horário de verão e que não é tão quente assim. Mas peraí! Peguem um mapa do Brasil e verão que estamos mais a oeste que a maioria das cidades brasileiras. E isso quer dizer que o Sol aqui “pega” mais cedo. Então, se precisam alterar o horário de alguma prova por causa de trânsito ou qualquer outro motivo, que antecipem!!! E vou mais longe, o mundo inteiro fecha ruas para dar direito aos atletas participarem de algumas provas. E a população de lugares civilizados, desce dos seus carros para aplaudirem os corredores. Então, não há justificativa para expor quase 4 mil pessoas a um calor enorme! Sei que não adianta reclamar, mas a terceira maior cidade do país merecia pelo menos um secretário do esporte que respeitasse os atletas.

Voltando à prova, que é o que mais interessa (nojo de política e pessoas incompetentes no comando!), chegamos cedo para evitar trânsito e conseguir parar o carro onde gostamos. Além disso, paz para pegar os chips e fazer os últimos preparativos. E tempo para tirar algumas fotinhos…

Eu minha guerreira esposa (foto by Deco)

Como estratégia, definimos que eu, Cláudio “Tartaruga Monstro” e Deco correríamos juntos. E o ritmo suficiente para chegar com cerca de 55 minutos.

E foi neste clima que seguimos para a largada. Largada mais do que cheia e quente, nem precisou de aquecimento com tanto calor humano.

Bom, a confusão das largadas das 3 provas anteriores da Adidas foi repetida. Sorte que não estava em busca de tempo, senão teria tido um ataque cardíaco. O primeiro quilômetro foi feito em inacreditáveis 7 minutos. E isso porque tiveram momentos que desviamos pela calçada. E a dúvida continua: se a pessoa quer correr num ritmo mais lento, por que largar no pelotão da frente???

Passado este primeiro trecho, nos concentramos e seguimos pelo percurso bem conhecido.

Os quilômetros foram passando e fomos acelerando, mas nada que ultrapassasse o ritmo combinado. Ou seja, estava sempre de olho no Garmin e na média acumulada. Com o pace acumulado chegando em 5:30 min/km, foi hora de controlar, beber muita água, “tomar banho” de garrafinha, curtir o mar de gente e o visual.

Gente, muita gente... Quente, muito quente...

E perto da chegada, nosso amigo Rogério “Pateta” se juntos aos 3 companheiros iniciais. Cruzamos juntos o pórtico da chegada e, desta forma, encerramos nosso ano letivo de provas. Missão cumprida: 54:41 min e muita alegria.

O agradecimento especial de hoje fica por conta da minha personal trainer esposa guerreira Kelly, que esteve apoiando e tirando fotos. A recuperação dela segue em ritmo acelerado e os ligamentos reparados e o super grampo no tornozelo farão ela voar no próximo ano. Por enquanto, seu sorriso continua nos enchendo de alegria e energia…

Linda....

O ano de provas se encerra. Muitas conquistas legais, mas o que mais levamos de presente são as amizades.

Cláudio "Tartaruga Monstro", eu e Deco

Medalha

Publicado por: dudiscarrijo | dezembro 15, 2011

Corrida Noturna de Verão – TV Aratu – 10k

Depois de cumprido o objetivo de fazer a Meia Maratona de Brasília abaixo de 2 horas, eu precisava de um novo desafio motivador. E foi com este intuito que acabei incorporando a meio maluquice de fazer os 10k abaixo de 50 minutos. E explico porque meio maluquice…

Porque fazer 10k abaixo de 50minutos significava baixar em mais de 2 minutos o tempo da prova Adidas de Primavera. Significava baixar mais de 8minutos da minha primeira prova de 10k (Adidas Verão/2010). Significava treinar muito forte em tempos de mudança para o apartamento e alta carga de trabalho. Ou seja, seria muito difícil.

Mas, se tem uma coisa que eu sou é teimoso. E eu iria lutar até o último segundo antes de desisir.

E foi com este espírito que treinei as duas semanas anteriores à prova. O tempo não era o ideal, mas dava pra melhorar alguma coisa. Tiros e muitos tiros, dores e muitas dores… Nesta fase de treino, posso citar dois divisores de águas.

O primeiro deles foi no domingo dia 4/12, quando saí para fazer um treino de 10k no mesmo ritmo que eu teria de seguir na prova. Acelerei tudo que pude e fiz os primeiros 4k no pace de 5:00 min/km. E não aguentei seguir. Parei, fiz um pit stop nos km4, km6, km7, km8 e km9. Ao final, acumulado corrido de 49minutos, mas com várias pausas e um desgaste monstro. Era difícil admitir, mas a meta sub 50 estava cada vez mais longe.

O segundo deles foi na quinta dia 8/12, quando saí para fazer 5k, decidido a fazer meu melhor tempo na distância. E fiz. Total de 26 minutos e pouco. Excelente treino, mas mesmo com a metade da distância desejada, não cheguei ao pace alvo de 5:00 min/km.

Não abortei totalmente o objetivo, mas sabia que era quase impossível. E me preparei para fazer a prova e não me decepcionar ao final.

E o sábado do dia da prova começou bem. Dia de contraternização da academia da Kelly e uma feijoada de almoço. Confesso que meu primeiro prato só tinha salada e arroz… mas ninguém é de ferro, então lá foi uma boa pratada de feijão boca adentro. Sem exageros, é claro kkk…

Falando mais propriamente da prova, saímos de casa com grande antecedência, pois se tem uma coisa que eu odeio é passar por aperto no trânsito e ficar nervoso para a prova. Por volta de 17:40h já estávamos na arena que ainda recebia os últimos retoques.

Arena

Já começava a anoitecer quando nosso capitão Éder Martins chegou e montou a tenda do grupo. Chips e camisetas distribuídos, era hora de começar a me concentrar e decidir se tentaria a meta ou não. E acho que aquela Lua maravilhosa acabou me motivando a fazer a tentativa.

Lua nascendo ao fundo

Com 30 minutos de antecedência da largada, ouvi as últimas orientações técnicas da Mônica e fui me despedir da Kelly. E a carga emocional foi grande, pois com a cirurgia no tornozelo, foi um grande esforço físico e psicológico me dar apoio desta vez. Mas digo sem medo de exagerar, não fosse ela lá e eu não teria tentado.

Pronto para a partida

E assim parti para o meu aquecimento. Fiquei indo e vindo onde mais tarde a tropa passaria a toda velocidade. E conforme o suor começava a escorrer na testa, fui sentindo a confiança aumentar. Jogando contra, um vento forte que atrapalharia nos primeiros 5km, mas teoricamente ajudaria nos 5km finais.

Reporte do Accuweather quando chegamos na arena - ventos de quase 30km/h

Cerca de 10 minutos antes da largada, segui para o ponto de partida e me juntei ao Deco e ao Zé. Pra falar bem a verdade, estava tão concentrado que não me recordo muito bem o que conversamos. Só sei que quando deram a partida, olhei reto para frente e acelerei.

E foi uma largada diferente, pois mesmo usando quase o mesmo percurso do Circuito das Estações, partimos do estacionamento do Jardim de Alah, ou seja, uma curva de 90º logo na saída, uma subida íngrime de uns 50 metros e outra curva de 90º. Aí sim uma reta e pé embaixo. Para minha surpresa, uma largada até tranquila.

Com a belíssima Lua na minha proa, segui meu caminho e fiquei feliz ao escutar o bip do Garmin anunciando o km1. Tempo de 4:40 min. A estratégia era manter o foco na média acumulada e no número 5. Tudo que viesse abaixo do 5 era lucro… acima era prejuízo e praticamente irreversível. Uma estratégia um tanto quanto suicida. Ou seja, no final das contas ou eu conseguiria atingir o objetivo, ou quebraria bonito.

Com os colegas corredores ficando um pouco mais espalhados, tive um caminho “limpo” até ouvir o relógio pela segunda vez. Sabia que a velocidade deveria cair, mas o receio era de uma queda muito grande. Uma espiada rápida e vi que a média ainda era muito positiva: 4:52 min/km.

Parti então para um trecho de subida. Trecho onde o perigo de quebrar subia muito, mas acabou sendo compensado pela presença de “torcida” e pela chegada do amigo Couto Jr, que acabaria ficando ao meu lado até a parte final da prova. Neste trecho também pegamos o primeiro ponto de água e a sede acabou saciada. Já estava ficando ansioso quando o Garmin me despertou. Acumulado de 4:55 min/km e a gordura do início da prova estava indo embora. E talvez cedo demais.

O lado bom é que a cada 30 segundos eu escutava: “Não diminui, mantém o ritmo, você está bem!”. Couto Jr foi um grande parceiro e no final do post terá o meu agradecimento especial. Apesar de eu raramente responder, este é o tipo de apoio que faz a diferença. E juntos atingimos o km4, nesta altura já vendo o pessoal da elite passando no sentido contrário. O suor escorria a rodo pelo corpo e o vento eu já nem sentia mais. Rapidamente fui conferir o tempo no relógio e me preocupei com a tendência de queda de desempenho. Acumulado de 4:56 min/km.

Agora tudo o que eu mais queria era chegar à metade da prova e apontar a proa para a chegada. Eu sabia que precisava de um fator novo, mesmo que fosse somente a curva de retorno. E o dito retorno talvez tenha sido o único ponto de crítica para a organização da prova. Acho que alguma coisa não saiu exatamente como previsto e os corredores indo e vindo acabavam trombando. Por sorte, passei ileso neste gargalo e segui meu rumo. Nova conferida no relógio e a metade da prova já tinha ido. Por um lado, fiquei triste ao ver que a média acumulada chegava aos perigosos 4:58 min/km (foi o pior trecho da prova, 5:07 min). Mas por outro lado, fiquei alegre porque tinha acabado de fazer meus melhores 5km desde que comecei com esta brincadeira de correr (24min e 49seg).

O trechos seguintes teriam as maiores subidas e o desgaste já começava a tomar seu lugar. Mas parece que o posto de hidratação me deu nova vida e voltei a acelerar novamente e a rodar abaixo dos temidos 5×1. Neste ponto também falei um pouco com meu grande coelho, expondo que eu queria chegar até o km 8 com gás para o arranque final. Falei pra ele: “Quero chegar vivo no 8. Chegando lá abaixo de 40minutos, vai no coração”.

Mas como para chegar ao 8 precisamos passar pelo 6 e pelo 7, despertei novamente com o bip de km6 e me enchi de alegria ao ver que tinha ganho tempo. Acumulado de 4:57 min/km e agora faltava menos da metade da distância.

E como alegria de pobre (leia-se de corredor teimoso) dura pouco, tome mais subida e queda de ritmo. Até tentei manter, mas senti que uma aceleração naquele ponto poderia significar uma quebra de motor mais à frente. Foi hora de raciocinar e decidir que respiraria um pouco para tirar o atraso no sprint final. E dito e feito, passei o km7 com acumulado de 4:58 min/km. Gordura??? Quase nada, a não ser o resquício de feijoada que as vezes se fazia lembrar na barriga. Mas pra que me abater? Agora “só” faltavam 3km.

Quando chegávamos de novo no agonizante Aeroclube, meu fiel coelho Couto Jr encostou em mim e disse que dali em diante seria por minha conta. Ele não estava se sentindo muito bem e precisou diminuir o ritmo. É claro que deixou a motivação final quando me disse que eu estava bem e que deveria buscar o Deco, que tinha acabado de passar feito uma flexa. A vontade era ficar com Couto Jr, pois ele tinha me trazido até ali, mas sei que ele ficaria mais feliz ao ver que eu tinha conseguido fazer os sub50.

Para mim, o km8 era o ponto da última checagem técnica, pois dali em diante seria no peito e na raça. Olhada rápida no relógio e alarmantes 4:59 min/km exibidos. Zero gordura, zero reserva!

Acelerei de novo e senti a musculatura se contraindo, mas agora não tinha espaço pra dor. E ao ver que o Deco não aumentava a distância, sabia que estava no caminho certo. Comecei a ultrapassar várias pessoas e isso era bom sinal. Só vinha uma coisa na minha cabeça: FOCO! E assim espiei o Garmin no km9 e vi que tinha voltado para o acumulado de 4:58 min/km. Ali senti que ía dar. Ali senti as primeiras lágrimas teimarem em cair dos meus olhos. Ali vi que todo o esforço nos treinos seria recompensado.

E já começava a ver o pórtico de chegada quando tive a “bela” surpresa. Não iríamos descer direto pra chegada. Teríamos de passar e fazer o retorno uns 150 metros pra baixo, implicando em perda de ritmo pela curva de 180º e mais uma subida, justamente quando o corpo já começava a pedir pra parar.

Porém, quem já tinha chegado até ali, não desistiria no final. Ainda mais quando avistei a Aninha e a Ale batendo palmas e me incentivando. Respirei fundo e acelerei tudo que pude, mesmo com medo de tropeçar na descida. E quando avistei o relógio do pórtico e vi o número 49 na minha frente, comecei a gritar e comemorar. Sim, aquilo que parecia impossível há 1 ano atrás estava se realizando. Eu consegui cruzar a linha de chegada abaixo de 50 minutos. E a emoção e vibração foram tamanha que me empolguei e acabei não travando o Garmin (só soube o tempo oficial quando já era quase meia noite e recebi uma mensagem no celular – 49:35 min).

A primeira pessoa que vi depois da chegada foi Deco e nos abraçamos para comemorar. Era também para ele o melhor tempo para a distância. Parabéns meu amigo, você também jogou duro e merece aplausos, pois no caminho do Ironman você tinha pedalado 80km de manhã. Depois, fiquei no aguardo do Couto Jr, que merecia meus agradecimentos. E assim que ele cruzou a linha de chegada, dei uma abraço apertado nele. Aqui abro um parênteses para te agradecer. Você foi muito importante pra mim durante a prova, sempre me incentivando e dando as coordenadas de alteração de ritmo nas subidas e descidas. Digo que sem você talvez eu até tivesse conseguido, mas teria sido muito mais difícil.

Depois de pegar a fruta, powerade, água e medalha, fui devagarzinho para a nossa tenda. E muitas coisas foram passando na minha cabeça. Tudo que treinei este ano, as dores que senti, os amigos que me ajudaram, meus treinadores do grupo e principalmente minha filha e esposa que sempre me apoiaram. É claro que as lágrimas voltaram a cair.

Chegando na tenda, recebi os parabéns do pessoal e para não ser injusto esquecendo de alguém, agradeço a todos coletivamente. Abro mais um parênteses para agradecer ao capitão Éder Martins, sempre pronto para nos treinar e dar apoio nas provas e também à Mônica, que tanto brigou comigo para eu fazer os tiros. Divido com vocês esta conquista.

Cansado ao final da prova... mas muito feliz

Enfim consegui chegar ao lado da minha guerreira esposa. Gaguejando, contei que tinha conseguido. E quando ela me abraçou, não consegui mais conter e chorei muito. Acho que naquele momento extravasei todas as mágoas, dores, contusão e stress de trabalho. Naquele momento, nada mais importava a não ser celebrar a conquista.

Kelly, meu grande amor, quando você estiver lendo este post, tenha certeza de que eu corri para nós dois. Sei o quanto você está sofrendo com a sua cirurgia e o quanto vai sentir de dor para poder voltar. Mas sinta-se um pouquinho melhor, pois dedico esta grande conquista para você, que não me deixou ser um quase obeso em casa. Dedico a você que me cobrou para voltar à musculação e me colocou neste mundo da corrida. E mais do que dedicar esta conquista a você, agradeço todos os dias por ter entrado na minha vida e por estar nela até hoje. Logo você estará de volta e vamos conquistar muitas marcas juntos.

Medalha - esta dedicada especialmente à Kelly

Para finalizar, gostaria de elogiar a TV Aratu por promover mais esta bela prova. Espero que em 2012 vocês continuem prestigiando o esporte na nossa cidade.

Grupo Éder Martins reunido após a prova

Publicado por: dudiscarrijo | novembro 20, 2011

Asics Golden Four Brasilia – 21k

Enfim era chegada a hora de mais uma estréia, de mais uma nova experiência… o destino desta vez não era o Farol da Barra, o Farol de Itapoã ou o Jardim de Alah… desta vez a inscrição incluía passagem aérea e o roteiro mostrava a capital federal como o destino. A prova foi a tão esperada Asics Golden Four e a distância 21k. Ou seja, num ano de tanta evolução, lá estava eu indo para a terceira Meia Maratona.

Estávamos muito ansiosos, pois além de ir participar de uma grande prova, iríamos nos hospedar na casa do grande amigo Luiz. Grande amigo da minha esposa Kelly das épocas em que ambos moraram na amazônia. Meu amigo virtual e que eu teria o grande prazer de conhecê-lo pessoalmente.

A única coisa negativa desta prova/viagem era que Kelly estava contundida e não poderia participar da corrida. Sei o quanto ela sofreu por isso, mas infelizmente o destino nos reserva grandes desafios. Claro que parte desta decepção dela ficaram de lado pela recepção inestimável do Luiz e sua querida esposa Cândida. No final do post dedico um parágrafo especial para tentar agradecê-los.

Apesar da semana bastante atribulada, preparamos nossas mochilas e contamos com a carona do amigo-irmão Jean para chegarmos com boa antecedência ao aeroporto. Tempo suficiente para comprarmos uma lembrancinha para nossos amigos e para tirarmos algumas fotinhas mostrando o uniforme de viagem…

No aeroporto

Com pouco ou nenhum atraso, seguimos para Brasília. Pouco menos de 2 horas nos separavam da capital federal e o vôo foi tranquilo, apesar do desconforto das poltronas amontoadas e do lanche servido. Quer dizer, dá pra chamar aquele saco de ar com algumas batatas dentro de lanche??? kkk

Todo respeito à tripulação que nos atendeu muito bem, mas um lanche deste só pode ser brincadeira...

Depois de uma bela recepção, de um lanche delicioso e de um bate papo muito legal, fomos para a cama, pois o sábado seria longo.

No sábado, pulamos da cama cedo e sentimos um ar gelado, mostrando que apesar do clima seco, teríamos uma temperatura bem mais amena.  E sem perder tempo, seguimos para o centro de convenções onde estava acontecendo a retirada dos kits.

Bem, se a ansiedade antes de chegar em Brasília já era grande, ao entrar no grande salão, deu aquela vontade de colocar a bermuda e sair correndo… Nem o pequeno mal entendido na retirada do kit foi capaz de tirar o brilho da organização. Parabéns ao staff da Asics que depois da minha solicitação bastante contundente (leia-se stress e pressão), correu atrás do prejuízo e resolveu tudo muito bem.

Na bem da verdade, o tempo de espera acabou sendo muito útil para colocarmos o papo em dia com nosso grande amigo Luiz. Que figura agradável!

Já estava esquecendo, mas também encontramos nossos companheiros de equipe Éder Martins, pois nesta prova, além de mim e Kelly, estavam Vivian, Rogério e Felipe.

Com o kit na mão, foi hora de transferir a Vivian para a casa do Luiz (o coração deste cara é do tamanho do mundo…) e de fazermos um verdadeiro citytour em Brasília. Conhecemos lugares muito bonitos e de muito valor cívico e histórico. Como o post é da corrida e não do nosso passeio, coloco somente uma das mais de 300 fotos tiradas.

Eu, Kelly e Luiz no Congresso Nacional

No domingo (6/11), pulamos bem cedo da cama. O caminho era relativamente longo pra chegarmos no Monumento JK, local da largada. Tomamos um bom café da manhã e o papo matinal foi o tempero que faltava para me sentir preparado para os 21.100 metros que nos esperavam.

Com a adrenalina a mil, fizemos os últimos ajustes e aguardamos pela buzina de largada.

Vivian, Rogério, Luiz e eu na largada

Com pontualidade quase britânica, partimos em direção ao Palácio da Alvorada, com passagem pelo Congresso, Planalto e outros pontos cívico/turísticos. O objetivo inicialmente era completar a prova num sub 2h, mas a falta de treino pela mudança de casa  me fez mudar para “simplesmente” completar os 21k e curtir o percurso.

E foi com este espírito que eu e Vivian seguimos no começo.

Se por um lado eu não tinha Kelly comigo correndo, a cada vez que passava por ela na calçada tirando fotos, sentia uma energia ótima. Na bem da verdade, nem senti muito os primeiros quilômetros passarem, pois a vi várias vezes e aproveitei a energia para colocar o tênis para esquentar no asfalto.

Senti muita emoção quando passamos ao lado do Congresso Nacional. Apesar daquela casa ser muito mal frequentada em sua maioria por verdadeiros picaretas, é a “casa do povo” e como bom brasileiro, senti orgulho de ter nascido nesta terra tão próspera. Um dia ainda hei de ver nosso país ser administrado por pessoas sérias…

Olhando para o aspecto técnico da prova, completei os primeiros 5km com tempo de 28:18min e pace acumulado de 5:40 min/km. Ou seja, mais dentro da meta impossível. E mais do que isso, estava me sentindo muito bem. A falta de umidade no ar era bem compensada pela temperatura por volta de 20ºC.

Comentário mais que positivo para a organização da prova. Religiosamente a cada 3km tínhamos água e Gatorade, além de relógios que marcavam o tempo de prova e o pace médio. A Asics fazia valer a propaganda que se tratava de uma prova de nível internacional.

Entre trechos de descida e plano, atingi o km 10 com tempo de 56:41min e pace de 5:40 min/km. Se eu tivesse sonhado com uma prova perfeita não teria imaginado uma média tão boa. Os amigos que estavam ao meu lado quando o Garmin emitiu o bip desta parcial devem ter me achado maluco, pois comemorei como se tivesse batido o recorde mundial.

Perto do km10

Próximo do km12 fizemos a volta e, como diria o bom piloto, apontamos nossa proa para a linha de chegada e preparamos as turbinas para enfrentarmos a única (mas não pequena/curta) subida do trajeto.

Foram pouco mais de 2km de subida, totalizando um ganho de elevação de cerca de 25m. Para quem nunca correu e/ou nunca acompanhou as subidas com GPS pode achar pouco. Mas garanto que subimos e muito. O bom é que consegui até manter um bom ritmo, passando pelo km15 com tempo acumulado de 01:25h e pace de 5:42 min/km. Eu esperava que a queda de desempenho seria maior ao final da subida, mas sobrevivi com alguma reserva. E esta reserva seria toda usada nos trechos de descida até a chegada.

Como tática de corrida, eu tinha deixado o Garmin mostrar só pace e distância na tela principal. Eu só mudaria para o tempo quando cruzasse o km20, pois este era o lugar onde saberia se daria o sub2h ou não.

Depois de correr ladeira abaixo entre os km 18 e 19, enfim cheguei ao km20 e fui ansioso verificar o tempo.  E vibrei muito quando vi que estava abaixo de 1:55h. Mais do que isso, ainda tinha combustível para gastar. Mesmo contendo a ansiedade, naquele ponto eu sabia que ia dar para cumprir o objetivo. Acelerei o passo e já comecei a enxergar a linha de chegada.

E quase que tiro o pé antes da hora, pois acabei me distraindo, não vendo que teríamos de passar pela chegada e fazer o retorno logo à frente. Sorte que me dei conta a tempo e pisei mais fundo ainda, era chegada a hora das lágrimas. Lágrimas que desde o km20 teimavam em escapar dos olhos.

Enfim entrei no funil de chegada e dei uma última espiada no relógio. Seria no limite, mas conseguiria. E a animação final veio ao ouvir o Luiz gritando meu nome junto ao pórtico… Já fui levantando o braço e vibrando…

Linha de chegada (foto de Luiz Lopes)

Terceira Meia Maratona concluída e o recorde pessoal estabelecido – 1h 59min e 28seg! Depois de cerca de 1 ano e 3 meses da minha primeira prova de 5k (em quase 32 minutos), cá estava eu concluindo minha terceira Meia Maratona (sendo a primeira prova fora de casa) e entrando para o grupo de “teimosos” que conseguem correr os 21.100 metros abaixo de 2 horas.

Não tenho palavras para descrever a felicidade e a emoção que senti ao final da prova. Um final de semana perfeito ao lado de amigos, coroado por uma prova perfeita e a certeza de que mais do que fazer um bom tempo, estou fazendo bem para minha saúde física e mental. E a medalha, apesar de não ser de ouro, valeu como tal para mim…

Sessão agradecimentos:

Primeiro de tudo, agradeço à minha grande companheira e amor da minha vida. Apesar de estar contundida e de estar morrendo de vontade estar correndo, me acompanhou na viagem e me passou muita energia durante a prova, além de fazer belos registros fotográficos.

Em segundo, agradeço ao nosso comandante Éder Martins, por ter viabilizado esta prova, não só com a cortesia da inscrição, mas com tudo que tem feito para me motivar e ajudar. Chefe, tenha certeza de que corri com a sua marca e fiz o possível para representá-lo bem.

Por último, mas não menos importante, um agradecimento super especial ao grande amigo Luiz Lopes. Você meu amigo foi simplesmente perfeito. Sua atenção, carinho e sobretudo paciência tornaram nosso final de semana perfeito. Tenho certeza que faremos muitas provas juntos e espero receber você, Cândida e Giulia em breve na nossa casa.

Dever cumprido (foto IVAN LUÍS PADOVANI)

Publicado por: dudiscarrijo | novembro 4, 2011

Track and Field – Run Series Shopping Salvador – 30/10/2011

Depois de quase 4 semanas sem nenhum treininho que fosse, era chegada a hora de participar da tão esperada prova da Track & Field Shopping Salvador. E a expectativa positiva se confirmou já na retirada do kit. Não que eu ache barato (e justo) pagar mais de R$60 por uma prova, mas pelo menos a meia, o boné e a camiseta (esta tão desejada pela Vivian kkk) além de bonitos, são de alta qualidade.

Os preparativos desta vez foram um pouco relaxados e fui para a prova com a ideia maior de treinar, já que dia 6/11 o desafio será em Brasília, na meia maratona. Porém, prova é prova e quando vi o movimento do pessoal chegando, a adrenalina foi subindo e a vontade de soltar as pernas subiu junto.

Desta vez não teria a companhia da minha guerreira esposa, pois uma lesão nos ligamentos do tornozelo a deixará fora por algum tempo. Infelizmente, estamos no aguardo da autorização do plano de saúde para a realização da cirurgia e sabemos que cada dia a mais significa uma dia a menos de treino. Mas, sei o quanto ela é forte e sei que em breve estará de volta e podem ter certeza que mais guerreira como nunca.

Com uma organização digna de elogios, partimos exatamente as 8h. Existia um receio pela largada ter sido dada no estacionamento do shopping e termos de passar por um portão estreito, mas deu tudo certo e ganhamos o asfalto.

O circuito era novidade para mim e fonte de grande dúvida.  Pelo menos no papel, parecia que não seria muito interessante. Mas conforme fui avançando, logo deixei de lado isso e curti a prova.

E, apesar de ter como objetivo “simplesmente” completar a prova, de aquela espiada no relógio quando avistei a placa de 1km. Um belo tempo de 5:26 min me fez ficar mais motivado. Ao meu lado, Vivian era a representante da minha esposa e seria minha companhia até quase a metade da prova.

O Sol já começava a esquentar e o suor já caía em grande quantidade quando ganhamos a Av. Tancredo Neves, rumo ao shopping novamente. O pelotão também já começava a se espalhar e o espaço na rua estava excelente. Excelente também o primeiro (e todos os outros) posto de hidratação pouco depois do km2. Mais uma espiada no Garmin e pace mantido. Uma leve dorzinha chata começava a pegar minhas coxas, mas nada pra assustar, muito menos pra me fazer aliviar.

Seguimos em frente e era hora de passar pela largada, mas em sentido oposto. Hora também de procurar as máquinas fotográficas e tentar sair bem na foto. E aí veio o lado bom (se é que ele existe numa contusão séria) da minha esposa estar fora… a máquina estava sob os seus cuidados e cada click era uma força a mais para seguir adiante.

Ao passar pelo km3, fiz a checagem do tempo e confirmei que tudo estava bem. Novamente pace quase idêntico, acumulando 5:25 min/km, mas uma pequena dificuldade em manter o ritmo.

Esta dificuldade foi confirmada ao passar no km 4 e provada no km5. O pace havia subido para 5:29 e o acumulado já chegava a 5:27. Mais do que isso, as dores haviam aumentado e a vontade foi de me fingir de desentendido e seguir para a linha de chegada.

Mas, corredor teimoso como sou, confiei nas nuvens negras que se aproximavam e abri a segunda volta. No fundo, eu sabia que se o Sol se mantivesse, teria de baixar bem o ritmo, mas logo fui sentindo as primeiras gotas e me animei de novo.  E sorte que estava com meu Noosa Tri 6, que gruda no chão molhado e não pesa na chuva.

Nesta altura da prova, minha companheira Vivian já tinha acelerado e eu corria sozinho. Cuidando km a km, passei pelo km6 com pouco menos de 33 minutos, km7 abaixo dos 39minutos e km8 pouco acima dos 44minutos.

Como esperado, não consegui manter o ritmo abaixo dos 5:30 min/km. Mas, por outro lado, estava feliz porque vinha para fechar a prova próximo de 55minutos.

E assim segui para os últimos 2 km, tentando acelerar um pouco e aproveitando a benção que vinha literalmente do céu. A chuva apertou e o que era um pouco de água na cabeça, virou um banho delicioso. A prova foi chegando ao fim e, como de costume, hora de dar aquele sprint final e sair bem na foto kkk…

Tempo final e oficial de 53:08 min e felicidade por concluir o desafio de 10k (ou 9,62 km no GPS) inteiro. É claro que terminei bem mais desgastado do que de costume para esta distância, mas as quase 4 semanas sem treino devido à nossa mudança não fizeram tanto estrago.

A resenha do final da prova não foi muito longa e acabou comprometida pela chuva que caiu valendo. Porém, independente do clima, a organização da prova foi muito boa e está de parabéns. Ao contrário de algumas provas anteriores, esta merece todos os elogios e deixa boas impressões. Ano que vem, será com certeza uma das provas que quero repetir.

A medalha, “presente” do final da prova foi bem bonita, apesar de pequeninha. E assim, terminou mais uma prova da minha breve carreira…

Publicado por: dudiscarrijo | outubro 6, 2011

Meia Maratona Farol a Farol – 02/10/2011

Depois da primeira experiência na Meia Maratona da Bahia e da boa prova no Circuito das Estações Adidas Primavera, era chegada a hora de encarar minha segunda Meia Maratona. Desta vez, o palco seria um dos mais belos cartões postais do nosso país.

Como largada, a cantada e versada Itapoã. Como chegada, o belíssimo Farol da Barra. E no meio do percurso, Boca do Rio, Jardim de Alah, Pituba, Amaralina, Rio Vermelho, Ondina entre outros belos locais.

Rotina de casa feita, partimos para Itapoã. E quando chegamos lá, a trupe já estava reunida na tenda do capitão Éder Martins. Desta vez, como chegaríamos em local diferente da largada, a tenda era pequena, só para nos abrigar na preparação da largada.

Últimos acertos feitos, definimos a estratégia de prova. Kelly, Vivian, Cláudio, Mateus e eu seguiríamos em ritmo próximo de 10km/h até o km15. Estando bem, apertaríamos o ritmo.

Com alguns poucos minutos de atraso, soou a buzina e partimos para o desafio. Apesar de não ter sido uma largada tranquila, todo o aperto enfrentado nas últimas provas não foi repetido.

Mesmo às 7:00h da manhã, o Sol já brilhava forte e senti que a pegada seria forte. Ou seja, buscar tempo seria quase impossível.

Situação do clima após a prova

Como eu havia perdido o bip do primeiro trecho, só espiei o relógio quando nos aproximamos do primeiro posto de hidratação. Km2 vencido com tempo acumulado de 11:43min. Um gole de água na boca e o resto do copo na cabeça. E asfalto pela frente.

Apesar do Sol quente nas costas, não posso negar que correr no visual da orla de Salvador é algo muito especial. O dia dos praianos ainda estava começando e até me surpreendi com as palmas e apoio dos anônimos. E foi justamente das mãos destes anônimos que recebi meu segundo par de copos de água e refrigerei a máquina. Tempo acumulado de 23:24min e pace médio 5:51 min/km. Tudo correndo dentro do esperado e a companhia do grande amigo Cláudio. Neste ponto, Kelly e Vivian se adiantaram um pouco. Minha querida esposa estava com uma lesão no tornozelo e decidiu forçar um pouco para ver qual seria a reação. Eu e Cláudio, seguimos no nosso ritmo confortável, mas mantendo sempre as duas guerreiras na alça de mira.

Patamares se aproximou quando o Garmin anunciou o km6. A sede já começava a ficar mais forte e desta vez foi mais água pra boca do que para a cabeça. Além disso, resolvi a partir deste ponto levar um copo de reserva para os km ímpares. Estava me sentindo bem com o ritmo adotado e fiquei feliz ao conferir que a média acumulada era de 5:50 min/km. Uma leve aceleração, depois de 35 minutos desde a largada.

Segui com meu copinho reserva até o km7, quando usei meu primeiro gel de carboidrato. Um terço da prova havia sido vencido e o pescoço começava a arder por causa do Sol.

Passamos pelo km8 e neste ponto já avistávamos o que em um passado recente foi o aconchegante Aeroclube. Uma nova verificação no relógio e a preparação para a primeira subida rumo ao Jardim de Alah. Pouco mais de 46 minutos rodados e um primeiro sinal de cansaço. As pernas começavam a pesar, mas a sensação ainda era de controle total. Pace acumulado de 5:51 min/km e a distância para as meninas chegou ao seu ápice.

A vontade era acelerar e estar junto, mas o trauma da quebra na primeira meia maratona ainda falava alto e eu sabia que ainda não era hora de queimar mais combustível.

Um pouco depois da metade da subida do Jardim de Alah, avistamos o pórtico de controle, ou seja, a metade da prova se aproximava e junto com a água, era esperado um pouco de isotônico. Confesso que quando percebi a possibilidade de pegar uma garrafinha inteira, nas pestanejei. Apesar do peso de 500ml do líquido repositor, valia a pena a carga extra. Tomei bons goles e cheguei ao final da primeira grande subida. Era notório que a velocidade havia reduzido um pouco, mas como esperado, passei na marca de 10km abaixo de 1 hora (para ser mais exato 58:32min). A parte conservadora da prova havia sido vencida bem e dali em diante era hora de avaliar as condições físicas e começar a planejar a aceleração.

Por volta do km12, quando entramos na Pituba, alcançamos o Luciano, grande companheiro de treinos longos e um dos caras que sempre me apoiaram em aumentar minhas distâncias. Estranhei que ele vinha caminhando e colei nele para ver se havia acontecido alguma lesão.

Ele estava bem cansado e logo me disse que iria desistir e pegar um ônibus em direção à Barra, pois para ele, a prova havia acabado. Fiz uma breve verificação da real situação dele e vi que a maior limitação naquele ponto era psicológica. Ele não precisava de ônibus, precisava sim de companhia e motivação. Em breves palavras, falei pra ele que só o deixaria parar se ele não estivesse se sentindo bem.

Para a nossa felicidade, conseguimos dar o apoio que ele precisava naquele momento, e seguimos juntos por quase 2km. Eu também já estava cansado, mas é impressionante como este tipo de encontro motiva tanto a pessoa que queria parar, como a pessoa que está puxando. E me senti renovado quando ele me apertou a mão e disse que eu poderia seguir em frente porque ele havia abandonado a ideia de desistir. Lu, aqui abro um parênteses no meu post para agradecer a você por todas as vezes que tive vontade de parar nos treinos longos e você desacelerou para me acompanhar, me apoiando e me incentivando. Fiquei muito feliz em poder retribuir um pouquinho nesta prova.

O Garmin apontava 14km e tempo acumulado de 1:22h quando fiz nova hidratação e respirei fundo para seguir para a parte final. Neste ponto, as dores musculares já começavam a aparecer, ainda que pequenas. O pace acumulado era de 5:53 min/km e eu sabia que era hora de pisar fundo para fazer um tempo inferior à outra prova.

Pouco depois do km15, passamos pelo belo Quartel de Amaralina e vi que estava me aproximando rápido das meninas. Mesmo à distancia, já podia sentir que Kelly estava com fortes dores no lesionado tornozelo e fiz um esforço extra para poder chegar ao lado dela e conversar.

Acabamos nos aproximando do km16 juntos e ela me passou o recado que talvez não daria para chegar correndo. Fiz menção de seguir com ela, mas ela logo me motivou a seguir acelerando. E fiz isso quando a Vivian disse que ficaria com ela até o final. Neste ponto, o companheiro Cláudio também já apresentava sinais de desgaste e eu sabia que seria vôo solo até o final.

Com exatos 1hora e 34 minutos, fechei o km16 e defini que dali em diante não poderia ter nenhum trecho acima de 5:50min.

Ao passar pelo Rio Vermelho, fomos recebidos por várias baianas, tipicamente vestidas, nos aplaudindo. E como este tipo de apoio funciona!

Com este astral, segui para as pequenas subidas antes de Ondina, que serviriam de aquecimento para a última e maior subida do trajeto. Hora de acelerar, pois na subida do antigo Clube Espanhol, todo mundo sabia que a velocidade cairia aos níveis mais baixos da prova.

E com esta animação, passei pelos km17, 18 e 19. Consegui de novo rodar próximo de 5:50 min/km de média e iniciei a dura escalada.

Mesmo perdendo um pouco de velocidade, estava muito feliz porque fui ultrapassando outros corredores e fui ultrapassado uma única vez. Eu já sabia que seria praticamente impossível fazer a prova num sub 2h, mas quando o relógio anunciou o km20, tive a certeza de que este sonho ficaria para a próxima. Tempo acumulado de 1:57h cravados, a meta era de fazer o meu melhor tempo para a distância, mesmo que acima de 2h.

E com esta energia, pisei fundo ladeira abaixo. Todo o combustível que economizei ao longo da prova seria gasto ali. Ao fundo, o imponente e histórico Farol da Barra… antes dele, a linha de chegada.

Entrei no funil da chegada na maior velocidade que eu consegui e recebi alguns cumprimentos quando rompi o pórtico de chegada.

Chegando ao final do desafio

A emoção mais uma vez aflorou na pele e vibrei muito ao espiar o relógio e certificar que o recorde havia vindo. Foram exatos 2 horas, 3 minutos e 7 segundos de muita luta, debaixo de um Sol forte e vislumbrando um cenário pra lá de paradisíaco.

Um copo de água e parte da sede devidamente saciada, voltei para a linha de chegada para esperar minha guerreira esposa. E poucos minutos depois, lá vem ela em altíssima velocidade. A dor estava estampada no rosto, mas a perseverança reinando suprema. Um tempo muito bom de 2 horas e 7 minutos para quem correu com o tornozelo parcialmente imobilizado. E muita emoção ao receber meu abraço.

Kelly dando o sprint final

O dia ainda teve a corrida Kids, a estreia oficial da minha filha Bárbara no mundo das corridas. Grande ideia dos organizadores, mas realização muito aquém do que as crianças mereciam. As falhas da organização ainda iriam se fazer presentes na falta de isotônico na chegada e da pífia falta de medalhas para as pessoas que chegaram um pouco mais tarde. Já mandei um email para a (des) organização da prova e espero que seja levado a sério, pois nós corredores merecemos que a prova seja repetida no próximo ano, mas que as falhas deste ano sejam corrigidas.

Bárbara e sua primeira medalha oficial

Ainda fizemos uma resenha rápida na tenda do grupo, momento pra lá de gostoso e que sempre merece os registros fotográficos. Vale aqui um agradecimento ao nosso comandante Eder Martins, que nos proporcionou uma volta pra lá de confortável para Itapoã.

Duas guerreiras unidas

Grande Luciano... um exemplo de corredor e de pessoa

E fica a certeza de que a o vício da corrida definitivamente tomou conta de mim… que venham a Run Series Track & Field (30/10) e a Golden Four 21k Brasília, nossa estreia oficial fora de casa…

Histórico Garmin

Mais uma para a coleção

Publicado por: dudiscarrijo | setembro 28, 2011

Circuito das Estações Adidas – Etapa Primavera 2011

Após 1 semana da estréia na Meia Maratona, foi hora de voltar ao conhecido (e já talvez cansado) percurso do Jardim de Alah. O desafio da vez era o Circuito das Estações Adidas – Etapa Primavera 2011.

Mesmo com o desgaste no final da Meia Maratona, consegui treinar bem na semana que antecedeu esta prova e gerei uma certa expectativa em conseguir fazer uma boa corrida e talvez até buscar o melhor tempo para o circuito.

Durante o preparativo em casa, decidi usar meu Asics Noosa Tri 6 pela primeira vez em uma prova. Como as pernas ainda estavam um pouco pesadas, talvez o tênis mais leve poderia ajudar.

Asics Noosa Tri 6 (foto internet)

Preparativos concluídos, partimos para o circuito. Logo de cara, percebemos que a previsão do tempo tinha acertado de novo e o vento soprava forte. O lado bom é que a temperatura estava mais amena e o Sol daria um tempo.

Chegando ao Jardim de Alah, vimos que o vento não era forte. Era FORTÍSSMO! E a intempérie obrigou nosso capitão Éder Martins a montar a tenda do outro lado da rua, pois na beirada da praia a coisa estava feia.

Tenda do grupo

Chip no tênis e últimos acertos feitos, partimos para a largada. Hora de experimentar a sensação de ser uma sardinha enlatada… E desta vez a situação estava pior do que a enfrentada nas outras etapas da Adidas. Muita gente chegando em cima da hora e querendo escolher lugar para largar. Era o exemplo prático de pegar o bonde andando e ainda querer ir na janelinha… Mas como educação é um negócio que ou a pessoa tem ou jamais terá, haja paciência…

Buzina soando, partimos no meio da onda humana, já sabendo que o primeiro quilômetro seria no ritmo da onda… Onda das pessoas que teimam em largar na frente e caminhar nos primeiros 100m. E, por mais que existam protestos, a organização da prova nada faz. Organização que por sinal bateu o recorde desta vez. Alguém pode acreditar que foi permitido estacionar carros no percurso já estreito? Além disso, podem acreditar que ao chegar por volta dos 200m após a largada demos de cara uma maravilhosa senhora parada no meio da pista com sua formosa Pajero TR4? Acho que não sou inteligente o suficiente para entender que os organizadores não conseguem garantir que as ruas fiquem sem carros durante a prova.

Passado este primeiro stress, foi hora de lutar por um espacinho e seguir a prova. Neste ponto, meu ponto de referência de velocidade era Kelly, que serpentiava em meio à multidão. Mas não durou muito…

Ainda antes de ouvir o bip de km1, recebi o comunicado dela que o tornozelo dolorido estava dando sinal. Ou seja, dali em diante seguiria em vôo solo. Meio confuso com a multidão, dei uma espiada no relógio e vi que o tempo tinha sido de 5:25 min.

Primeira subida terminada, respirei fundo e tentei medir o quanto o vento atrapalharia naquele ponto. E fiquei feliz porque parecia que não seria a grande barreira. O ritmo estava bom e segui assim.

(Foto Éder Martins)

Como as placas de quilometragem não resistiram ao vento, só notei o km2 quando o Garmin soou e vi que o ritmo tinha melhorado um pouco, com 5:23min. Eu estava me sentindo bem. E até surpreso por não estar sentindo o cansaço muscular da prova anterior. Tanto estava bem que passei batido pelo primeiro posto de água.

Ao me aproximar do finado Aeroclube, o vento mostrou que passaria a incomodar por boa parte da prova. Eu notei que estava mais rápido, mas senti que o esforço era bem maior. Verificação feita no km 3 e comprovação da aceleração. O pace deste trecho foi 5:21 min/km, levando a um acumulado de 5:23 min/km.

Como o circuito já é bem conhecido, eu sabia que era hora de nova respiração funda e preparação para a subida que vinha pela frente. E nova sensação de que poderia ser o dia de diminuir o tempo. Tudo estava indo muito bem.

Com a sede saciada e uma garrafinha na mão, cruzei o km4 e vi o tempo cair novamente. Trecho com 5:19 min e o gráfico de aceleração continuava subindo. E, como de costume, foi hora de ver os colegas da elite começarem a passar no sentido contrário.

O vento continuava a soprar, mas as construções ao longo da avenida nos ajudavam um pouco e consegui chegar à metade da prova com o tempo acumulado de 26:43 min. Hora de mandar o gel de carboidrato pra dentro, tomar um gole de água e seguir rumo à chegada. Este também era o trecho para dar uma conferida na situação da Kelly, que logo passou e bateu a mão comigo. Ela estava um pouco mais lenta que eu, mas estava claro que viria um bom tempo pra ela também, mesmo com as chatas e teimosas dores no tornozelo.

Chegando à placa deitada do km6, espiei o pace no relógio. Eu tinha a impressão que estava mais lento, mas fiquei feliz porque tinha conseguido fechar o trecho em 5:18 min, ou seja, prejuízo pequeno. No acumulado, o pace já chegava a 5:20 min/km, o que me animou a seguir a tática até o final da prova. E se eu precisava de motivação, a ultrapassagem do incansável JJ Romio me deu o alvo a seguir. Mesmo ele não sabendo, foi meu coelho até a linha de chagada.

E já no km7, vi que eu estava mais motivado. Trecho fechado com um tempo muito bom de 5:08 min e o pace acmulado continuava caindo. Neste ponto eu já sabia que estava correndo abaixo de 54 minutos.

O Romio seguia na minha alça de mira e me surpreendi quando me aproximei rápido dele na curva do Aeroclube… mas entendi rapidinho do que se tratava… Pense um vento-contra forte… Multiplique por 3 e era a situação do momento. Foram uns 200m que parecia que estava amarrado em um elástico…

Mas ao passar pelo km8, nova comemoração. Trecho fechado em 5:10 min e certeza de que o tempo seria com certeza abaixo de 54 minutos.

Como guardei reserva de energia, agora era a hora de pé embaixo. Abri a passada e senti a velocidade aumentando. Agora, mais do que nunca, comecei a passar vários colegas. E me aproximei ainda mais do meu coelho acidental. E, quando passei no km9, tive a certeza de que viria meu melhor tempo para o circuito.

Parti para o último quilômetro acelerando ainda mais. Estava me sentindo muito bem e colei no Romio. Uma rápida olhada do lado e o contato foi estabelecido: “Vamos chegar no tiro?”… nem respondi, só acelerei e ele também.

E assim cruzamos a linha de chegada… e se tivesse radar, seríamos multados kkk…

Após uma prova bastante técnica, fechei com o tempo de 52:19 min, meu melhor tempo para o circuito e o segundo melhor tempo para a distância. Razão para comemorar e muito. Sorriso no rosto e certeza de que minha carreira de corredor teimoso ainda vai muito longe…

Medalha

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